Por João Carlos Garcia, CEO da Preks e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal
Atualizado em 07/10/2026
Alguns bancos e instituições financeiras atuam com precatórios, como o BTG Pactual, que mantém uma página pública de antecipação de precatórios para quem quer vender.
O Banco BS2, antigo Banco Bonsucesso, também informa em suas demonstrações financeiras que adquire esse tipo de crédito.
Mas isso não significa que qualquer pessoa possa procurar um grande banco e receber uma proposta para vender seu precatório.
Entre as instituições analisadas neste conteúdo, o Santander, Itaú e Bradesco não apresentam, em seus canais públicos, uma opção padronizada de compra direta para titulares.
O Banco do Brasil oferece serviços relacionados ao recebimento de precatórios e RPVs, mas receber o dinheiro pelo banco é diferente de vender antecipadamente o crédito.
Além dos bancos, empresas especializadas e fundos também atuam nesse mercado.
Por isso, se você está pensando em vender seu precatório, não se prenda apenas ao nome da instituição: compare quanto vai receber, o desconto aplicado pela antecipação, o prazo de pagamento e quem aparecerá como comprador no contrato.
Veja neste artigo:
- Quais bancos compram precatórios?
- Como funciona a antecipação de precatório no BTG Pactual?
- Banco Bonsucesso ainda compra precatórios? Hoje ele é o Banco BS2
- Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil compram precatórios?
- Qual é o melhor banco para vender precatório?
- Empresas especializadas também compram precatórios
- O que conferir antes de vender seu precatório?
- Dúvidas que podem surgir antes de vender o precatório
- Então, onde vender meu precatório?
Quais bancos compram precatórios?
Alguns bancos podem ter precatórios em carteira ou adquirir direitos creditórios, enquanto outros apenas participam do pagamento ou da movimentação desses valores.
Essa diferença é importante porque um banco pode aparecer ligado a precatórios sem, necessariamente, oferecer a você uma opção para vendê-los.
Veja como alguns dos bancos mais conhecidos atuam nesse mercado:
| Banco | O que encontramos |
| BGT Pactual | Mantém uma página pública de antecipação de precatórios para titulares |
| Banco BS2 | O banco informa em suas demonstrações financeiras que adquire precatórios |
| Santander | Não identificamos uma oferta pública padronizada de compra direta para titulares |
| Itaú | Não identificamos uma oferta pública padronizada de compra direta para titulares |
| Bradesco | Não identificamos uma oferta pública padronizada de compra direta para titulares |
| Banco do Brasil | Oferece serviços de resgate e recebimento de precatórios e RPVs, mas não há uma oferta pública de compra antecipada |
A Caixa Econômica Federal, o Sicredi, Sicoob, Banco Inter, Banrisul e o Safra também aparecem com frequência nessa busca.
Como funciona a antecipação de precatório no BTG Pactual?
O BTG Pactual mantém uma página pública dedicada à antecipação de precatórios, em que o titular envia os dados do seu caso para análise e recebe uma proposta se o crédito for aprovado.
A proposta depende do tipo de precatório, situação no tribunal, documentos e critérios internos do banco, assim como em qualquer comprador.
Banco Bonsucesso ainda compra precatórios? Hoje ele é o Banco BS2
O Banco Bonsucesso passou a se chamar Banco BS2 em 2017, com mudança de denominação aprovada pelo Banco Central em novembro do mesmo ano.
Nas demonstrações financeiras de 2025, o BS2 informou que adquire precatórios após analisar, entre outros pontos, as regras aplicáveis, o estoque da dívida do órgão responsável pelo pagamento, o histórico de pagamentos, a situação processual e os riscos relacionados ao vendedor.
Então, não basta ter um precatório para que a compra seja aprovada. Cada crédito passa pelos critérios definidos pelo banco.
O BS2 também informa que o preço considera a expectativa de recebimento e o deságio aplicado à operação.
Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil compram precatórios?
Nos canais públicos do Santander, não identificamos uma opção específica para o titular que queira vender seu precatório diretamente ao banco.
Isso não significa que o grupo nunca participe de operações envolvendo créditos judiciais. Só que, para quem possui um precatório, não há uma oferta pública de compra.
No Itaú, a situação é semelhante. O banco oferece diversos produtos financeiros e de investimento, mas não identificamos um serviço público em que o titular apresente seu precatório e receba uma proposta de compra.
Também não identificamos nos canais públicos do Bradesco uma oferta padronizada para compra direta de precatórios de titulares.
O Banco do Brasil oferece resgate automático de precatórios e RPVs e outros serviços ligados a depósitos judiciais, ou seja, o banco pode participar da etapa em que o valor é disponibilizado ao beneficiário. Esse serviço, porém, é diferente de comprar o precatório antes do pagamento judicial.
Qual é o melhor banco para vender precatório?
Não existe um banco que seja o melhor para todos os precatórios. Primeiro, é preciso saber se a instituição compra o seu tipo de crédito. Se comprar, peça uma proposta para comparar quanto você receberá e em quais condições.
Entre os pontos que mais pesam na decisão, estão:
- Quanto você receberá de fato, depois do deságio;
- Qual será o deságio aplicado à venda;
- Quando o pagamento será feito;
- Se a situação do processo permite avançar com a venda;
- Quais documentos serão exigidos;
- Quem constará no contrato como comprador do crédito.
O deságio merece uma atenção especial, porque é a diferença entre o valor do precatório e o valor pago para antecipar o recebimento.
Se o seu precatório vale R$ 100 mil, por exemplo, e a proposta é de R$ 70 mil, o deságio é de 30%, e é esse número que você precisa comparar entre as propostas. Uma proposta aparentemente rápida pode não ser a mais interessante se o desconto for muito alto.
Além disso, precatórios federais, estaduais e municipais podem ter níveis diferentes de interesse entre os compradores, de acordo com prazo esperado, o histórico de pagamento e critérios internos.
Portanto, o melhor comprador não é necessariamente o banco mais conhecido, e sim aquele que aceita o seu crédito e oferece condições que façam sentido para a sua situação.
Empresas especializadas também compram precatórios
Quem quer vender um precatório não precisa limitar a busca por compradores aos bancos. Existem empresas e fundos que atuam especificamente nesse tipo de negociação.
Empresas especializadas nesse mercado costumam concentrar a operação na análise do precatório, na conferência dos documentos e na apresentação da proposta.
A Preks, por exemplo, analisa precatórios federais, estaduais e municipais de acordo com os critérios vigentes de sua operação. A empresa atua como consultora especializada dos FIDCs Oriz Jus I e Oriz Jus IV, que são os fundos que efetivamente compram os precatórios e constam no contrato.
A análise inicial é feita sem custo e sem compromisso. Se o caso puder avançar, o titular recebe uma proposta por escrito com o valor, deságio aplicado e condições da negociação.

A venda de precatórios é permitida pela Constituição Federal de 1988. O parágrafo 13 do artigo 100 permite que o titular transfira total ou parcialmente o crédito a terceiros, sem precisar da concordância do órgão público responsável pelo pagamento.
Depois da venda, conforme o parágrafo 14 do artigo 100, a cessão precisa ser comunicada ao tribunal de origem e ao órgão responsável pelo pagamento.
O que conferir antes de vender seu precatório?
Seja a proposta de um banco, fundo ou empresa especializada, antes de assinar o contrato de venda do seu precatório, confira:
- Quem está comprando o crédito: confira o nome e o CNPJ que aparecem no contrato, valide esses dados em uma fonte oficial e pesquise a reputação pública da empresa ou instituição.
- Quanto você receberá e qual será o deságio: compare o valor líquido da proposta e entenda quanto será descontado pela antecipação.
- Quando o pagamento será feito: confirme em qual etapa da operação o dinheiro será liberado.
- O que você está assinando: leia o contrato com atenção e esclareça as cláusulas que gerarem dúvidas.
- Se existe cobrança antecipada: desconfie de pedidos de depósito para “liberar”, “desbloquear” ou “autorizar” o precatório.
Dúvidas que podem surgir antes de vender o precatório
Mesmo depois de encontrar um possível comprador, algumas questões podem pesar na decisão de vender o precatório ou esperar pelo pagamento.
O banco é sempre mais seguro para vender precatório?
Não necessariamente. Ser um banco conhecido não elimina a necessidade de conferir a proposta, o contrato e quem está comprando o crédito.
Empresas especializadas também atuam nesse mercado, mas devem passar pelas mesmas verificações do CNPJ, condições da venda, deságio, momento do pagamento e reputação pública.
Posso vender apenas uma parte do meu precatório?
Em alguns casos, sim. O parágrafo 13 do artigo 100 da Constituição permite a cessão total ou parcial do precatório. Da mesma forma que a antecipação total, a venda de apenas uma parte também depende dos critérios do comprador e da análise do processo.
Vale mais a pena vender o precatório ou esperar o pagamento?
Depende do seu momento e das condições oferecidas. Esperar pode fazer mais sentido quando o pagamento está próximo, você não precisa do dinheiro agora ou considera alto o desconto oferecido.
Já a venda do precatório pode ser uma alternativa para quem prefere antecipar o recebimento e aceita receber um valor menor em troca dessa antecipação.
Então, onde vender meu precatório?
Alguns bancos atuam com precatórios, mas nem todos oferecem uma opção direta para o titular vender seu crédito.
Entre os bancos analisados neste conteúdo, o BTG Pactual mantém um canal público de antecipação de precatórios e o BS2 informa oficialmente que adquire esse tipo de crédito.
Nos canais públicos do Santander, Itaú e Bradesco, não identificamos uma oferta padronizada de compra direta para titulares. O Banco do Brasil oferece serviços de recebimento e resgate, que não devem ser confundidos com a compra antecipada do crédito.
Por isso, antes de decidir onde vender o precatório, compare os bancos, empresas especializadas e outras opções com base no que realmente afeta a negociação: quanto você vai receber, qual será o deságio, quando ocorrerá o pagamento, o que diz o contrato e quem comprará o crédito.
Se quiser saber se o seu precatório pode ser analisado para venda, você pode solicitar uma avaliação gratuita da Preks e conhecer as condições disponíveis para o seu caso.
Leia também: Quanto as empresas pagam por precatórios?

Sobre o autor: João Carlos Garcia é CEO da Preks e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal. Com grande experiência no sistema financeiro brasileiro, lidera a empresa, cujo time atua no mercado de crédito judicial desde 2019, em operações de compra de precatórios que já somam mais de R$ 200 milhões.
Este artigo é informativo. Não substitui análise jurídica, tributária ou financeira do seu caso concreto. Para uma simulação personalizada, entre em contato com a Preks.


