Casal de aposentados em casa sentados na mesa consultando precatório do INSS

O que é precatório do INSS, como funciona e como receber

Por João Carlos Garcia, CEO da Preks e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal 
Última atualização: 29/08/2026

Ganhar uma ação contra o Instituto Nacional do Seguro Social é só o começo. Depois da sentença, o precatório do INSS entra numa fila orçamentária para pagamento que pode durar anos.

Muita gente ainda não entende direito o que tem em mãos, quanto vale de fato ou o que pode fazer com esse documento. 

Este artigo responde o que é o precatório do INSS, como funciona o pagamento, quem tem direito e quando faz sentido antecipar o valor. 

Veja neste artigo:

O que é precatório do INSS?

Precatório do INSS é a ordem judicial de pagamento emitida pela Justiça Federal que determina que a União quite um débito previdenciário reconhecido em sentença. 

Ele aparece quando um segurado ganha na Justiça valores que o INSS não pagou ou casos que pagou a menor, como em revisão de aposentadoria, benefício concedido com atraso, pensão calculada incorretamente, entre outros.

Pense nele como um “cheque judicial” contra o governo: o juiz emite um Ofício Requisitório (OR) ao Tribunal Regional Federal, que inclui o crédito na lista de precatórios a quitar no orçamento do ano seguinte. 

Por envolver aposentadorias, pensões e benefícios destinados ao sustento do credor, é classificado como precatório alimentar, com prioridade de pagamento sobre precatórios indenizatórios comuns, previsto no art. 100, §1º da Constituição Federal.

Dentro dessa fila, ainda há uma prioridade por doença grave no precatório do INSS, com regras e limite de valor próprios. Explicamos como funciona o prazo do precatório alimentar e as três faixas de prioridade em um artigo dedicado.

Quem tem direito a receber um precatório do INSS?

Tem direito quem entrou com ação contra o INSS, obteve sentença favorável transitada em julgado e teve o Ofício Requisitório (OR) expedido pela Justiça Federal. Sem ele, o crédito não está apto para pagamento. 

Herdeiros também são titulares legítimos e, quando o segurado falece após a sentença, mas antes de receber, o precatório do INSS passa a integrar o espólio e pode ser transmitido por inventário. 

Quanto tempo leva para receber um precatório do INSS?

Depende. Na prática, o pagamento de precatórios do INSS com filas elevadas ou mais antigos costuma levar de 2 a 5 anos para acontecer, e às vezes mais, entre a expedição do OR e o pagamento.

Diferença entre precatório do INSS e RPV

Créditos de valor maior do que 60 salários mínimos federais contra a União são precatório do INSS e quando tem valor igual ou inferior, são expedidos como RPV (Requisição de Pequeno Valor), com pagamento em poucos meses, sem entrar na fila orçamentária anual. 

Quando o crédito vira um precatório, segue o ciclo a seguir, determinado após a Emenda Constitucional 136/2025:

  1. Expedição do OR: após o trânsito em julgado e o avanço do processo de execução.
  2. Inclusão no orçamento federal: prazo limite de 1º de fevereiro do ano seguinte (EC 136/2025 antecipou essa data; antes era 2 de abril).
  3. Pagamento pelo Tesouro Nacional: até 31 de dezembro do exercício em que o crédito foi incluído.

Como consultar precatório do INSS pelo CPF

O portal do Conselho da Justiça Federal (CJF) permite a consulta pública do precatório por CPF ou número do processo.  Com o número do processo em mãos, o próximo passo é reunir os documentos para vender o precatório do INSS. Além da consulta, explicamos como saber o valor do precatório a receber, com correção e juros, em um artigo próprio.

Seu advogado também consegue consultar diretamente pelo sistema do Tribunal Regional Federal (TRF) da sua região, com informações mais detalhadas sobre o andamento.

Sem advogado, localize o número do seu processo no INSS, que está geralmente disponível no extrato do CNIS ou na carta de indeferimento que originou a ação. Com esse número, a consulta fica bem mais rápida.

Vale a pena vender o precatório do INSS?

A venda do precatório do INSS vale a pena quando a necessidade é imediata, o prazo é longo ou a alternativa seria um empréstimo, que costuma sair bem mais caro do que antecipar o precatório.

Nesses casos, antecipar o precatório do INSS costuma ser a alternativa mais barata: o desconto fica entre 20% e 40% do valor atualizado, contra juros de crédito pessoal que ultrapassam isso em poucos meses. Se a decisão for essa, veja como vender o precatório em seis passos, do envio do processo ao recebimento. Um comparativo mais amplo sobre vender ou esperar o precatório está em um artigo próprio, com prós, contras e exemplos.

Vender um precatório do INSS significa ceder o direito desse crédito via contrato de cessão, conforme os arts. 286 a 298 do Código Civil e receber o valor à vista, sem esperar a fila. A Resolução CNJ 482/2022 também permite a cessão parcial do crédito. 

Em troca, na venda, aceita-se a aplicação de um deságio, percentual equivalente ao tempo de espera que será assumido pela empresa que compra o precatório.

Na Preks, o deságio para antecipar precatórios do INSS fica entre 20% e 40% do valor nominal. A cotação é gratuita e não gera obrigação de venda.

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Dúvidas que mais surgem sobre precatório do INSS

Veja as perguntas que chegam com mais frequência sobre antecipação de precatório do INSS, valores e como funciona o processo.

Qual o valor mínimo para receber um precatório do INSS?

A Constituição Federal não fixa um valor mínimo, apenas define se o crédito será precatório ou RPV, com um limite de 60 salários mínimos federais. Se o valor for abaixo ou igual, é um RPV e, se for acima, entra na fila de precatórios a receber. 

Quem recebe o precatório: o advogado ou o cliente?

O crédito pertence ao segurado ou aos seus herdeiros. O advogado pode ter honorários sucumbenciais expedidos separadamente em seu próprio nome, mas os valores devidos ao cliente são só dele. 

Para ter certeza em nome de quem o crédito foi expedido, basta conferir o Ofício Requisitório.

Quanto tempo o INSS leva para pagar um precatório do INSS?

Na prática, precatórios com fila elevada ou mais antigos costumam levar de 2 a 5 anos ou mais.  Pela regra constitucional (EC 136/2025), o crédito deve ser incluído no orçamento até 1º de fevereiro e pago até 31 de dezembro do mesmo exercício. 

Incide Imposto de Renda na venda de precatório do INSS?

Segundo o Superior Tribunal de Justiça, não. A 2ª Turma do STJ firmou em 2022 o entendimento de que a venda de precatório com deságio não configura acréscimo patrimonial e, portanto, não gera renda tributável.

Em qualquer cenário, a operação precisa ser informada; veja como declarar o precatório no Imposto de Renda.

A Receita Federal, porém, tem sustentado que pode haver apuração de ganho de capital, ou seja, há divergência entre o entendimento judicial e o administrativo. A operação precisa ser informada na declaração anual em qualquer cenário, e é importante validar o seu caso com um contador antes de declarar.

Entender o precatório do INSS é o primeiro passo 

O precatório do INSS é um crédito legítimo, reconhecido pela Justiça e garantido pela Constituição Federal. Entre o direito reconhecido e o dinheiro na conta, há uma fila de espera pelo pagamento que pode durar anos

Saber em que etapa o crédito está e quais opções existem faz toda a diferença na decisão de esperar ou vender o crédito com segurança. 

O time da Preks atua no mercado de crédito judicial desde 2019 (a empresa foi constituída em 6 de julho de 2020) e já soma mais de R$ 200 milhões em precatórios transacionados.

A cotação é feita de forma gratuita, com envio da proposta e taxa de deságio explicada, sem obrigação de venda.

O processo é online, e a cessão é feita por assinatura digital com validade jurídica equivalente à física, o que reduz o custo de cartório e a burocracia, e parte dessa economia volta para você no preço.

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Sobre o autor: João Carlos Garcia é CEO da Preks e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal. Com grande experiência no sistema financeiro brasileiro, lidera a empresa, cujo time atua no mercado de crédito judicial desde 2019, em operações de compra de precatórios que já somam mais de R$ 200 milhões.

Este artigo é informativo. Não substitui análise jurídica, tributária ou financeira do seu caso concreto. Para uma simulação personalizada, entre em contato com a Preks.