Por João Carlos Garcia, CEO da Preks e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal
Última atualização: 03/07/2026
Precatório alimentar é uma ordem judicial de pagamento contra a Fazenda Pública originada em verbas de subsistência, como salários atrasados, pensões, aposentadorias e benefícios previdenciários.
Esse tipo de precatório tem prioridade sobre os demais na fila, apoiado pela Constituição Federal. Mesmo assim, a espera pode durar de um a vários anos, conforme o ente devedor e a disponibilidade orçamentária.
Para quem não pode aguardar, é possível ceder o crédito a uma empresa especializada e receber o valor à vista, com desconto.
Veja neste artigo:
- O que é precatório alimentar
- Qual a diferença entre precatório alimentar e precatório comum?
- Qual o prazo para pagamento de precatório alimentar?
- Quem tem prioridade especial no pagamento de precatórios alimentares?
- O que pode atrasar o pagamento do precatório alimentar?
- O precatório se corrige enquanto espero o pagamento?
- É possível vender um precatório alimentar?
- Dúvidas sobre precatório alimentar que mais aparecem
- Receba o valor do precatório alimentar antes de esperar a fila
O que é precatório alimentar?
O precatório alimentar é uma requisição de pagamento do Poder Judiciário contra um ente público, seja a União, estado, município ou autarquia, cujo valor tem origem em verbas essenciais ao sustento do credor.
O nome “alimentar” vem do latim alimentum, sustento.
Entram nessa categoria salários atrasados de servidores públicos, diferenças de aposentadoria ou pensão (incluindo revisões do INSS), benefícios pagos a menor e verbas trabalhistas de natureza salarial devidas pela Fazenda Pública.
A sua base legal está no artigo 100 da Constituição Federal, que organiza a ordem de pagamento dos precatórios e garante tratamento preferencial aos de natureza alimentar.
Qual a diferença entre precatório alimentar e precatório comum?
A diferença está na origem do crédito e na posição na fila. Precatórios alimentares passam na frente dos comuns, e dentro da fila alimentar ainda existe preferência adicional para idosos, pessoas com deficiência e portadores de doenças graves.
| Critério | Precatório Alimentar | Precatório Comum |
| Origem do crédito | Salários, pensões, aposentadorias, benefícios previdenciários | Desapropriações, indenizações por danos morais, tributos recuperados |
| Posição na fila | Pago antes dos comuns (mesma data de expedição) | Pago somente depois de todos os alimentares |
| Preferência adicional | Idosos (≥ 60 anos), pessoas com deficiência e portadores de doença grave passam ainda mais na frente | Não há subcategoria de preferência |
| Base legal | Art. 100, §§ 1º e 2º, CF; EC 62/2009; EC 136/2025 | Art. 100 da CF |
| Prazo médio federal | Até 2 anos (estimativa – depende do orçamento) | Pode ultrapassar 5 anos em nível estadual e municipal |
⚠️ Prazos médios por ente devedor consultados em junho de 2026.
Qual o prazo para pagamento de precatório alimentar?
Para entrar no orçamento do ano seguinte, o precatório alimentar precisa ser expedido pelo tribunal até 1º de fevereiro do ano em curso, prazo alterado pela Emenda Constitucional 136/2025 (antes era 2 de abril). Quem perde essa janela fica para o exercício seguinte.
E dentro do mesmo exercício, quem foi expedido primeiro é pago primeiro. Um precatório alimentar de 2021, por exemplo, passa na frente do alimentar de 2023 do mesmo ente devedor.
A tabela a seguir mostra os prazos médios para receber. O pagamento efetivo depende do orçamento do ente devedor e nenhuma empresa pode garantir a data exata.
| Quem deve | Prazo estimado de pagamento | Motivo |
| União Federal, INSS, autarquias federais | 1 a 2 anos | Orçamento federal mais previsível; histórico de cumprimento maior |
| Estados | 2 a 4 anos | Varia bastante; alguns estados acumulam dívidas há anos |
| Municípios | 3 a 8 anos ou mais | Municípios menores têm orçamento restrito e frequentemente atrasam |
Quem tem prioridade especial no pagamento de precatórios alimentares?
A Constituição Federal protege quem está em situação mais vulnerável aguardando o pagamento de precatórios alimentares.
Dentro da fila alimentar, três grupos passam na frente dos demais:
- Idosos com 60 anos ou mais (art. 100, § 2º, CF), e entre esse grupo, o Estatuto do Idoso, Lei 10.741/2003, concede prioridade especial a quem tem 80 anos ou mais;
- Pessoas com deficiência, conforme a definição legal aplicável ao caso;
- Portadores de doença grave, comprovada por laudo médico e reconhecida judicialmente.
Esses credores têm direito à parcela superpreferencial, podendo receber antecipadamente, sem esperar o pagamento geral da fila.
Para acionar o benefício, é preciso fazer um requerimento ao tribunal com a documentação comprobatória, apresentando identidade ou certidão de nascimento para idosos e laudo médico para casos de doença grave.
O que pode atrasar o pagamento do precatório alimentar?
A prioridade constitucional não é garantia de pontualidade. Há alguns fatores que costumam fazer o prazo real ser diferente da estimativa:
Ente devedor não tem orçamento disponível
O pagamento do precatório alimentar exige que o valor tenha sido incluído na Lei do Orçamento Anual (LOA) e que os recursos estejam disponíveis.
Estados e municípios com desequilíbrio fiscal, situação que a EC 136/2025 passou a controlar com limites sobre a receita corrente líquida, podem atrasar ou parcelar pagamentos mesmo quando chega o lugar na fila.
Posição na ordem cronológica
Quanto mais antigo o precatório, mais próximo do pagamento. Se a sentença transitou em julgado há pouco tempo, você provavelmente está mais atrás na fila do que quem possui processos anteriores com o mesmo ente devedor.
Contestações pelo ente devedor
O ente público pode questionar o valor ou a validade do precatório alimentar e enquanto o processo não for resolvido, o pagamento fica suspenso.
É incomum, mas acontece, e é por isso que uma análise jurídica prévia ao contrato de cessão é uma ação importante para segurança.
O precatório alimentar se corrige enquanto espero o pagamento?
Sim. O valor do precatório alimentar não fica congelado e é corrigido monetariamente para que a inflação não corroa o que você tem direito a receber.
Os juros moratórios incidem sobre o valor principal desde a data da condenação judicial até a expedição do precatório e a atualização é feita pelo próprio tribunal. O credor não precisa pedir.
É possível vender um precatório alimentar?
Sim. A cessão de precatórios alimentares é permitida pelos arts. 286 a 298 do Código Civil e regulamentada pela Resolução CNJ 482/2022. O titular vende o direito ao crédito para uma empresa especializada e recebe o valor à vista, com deságio aplicado.
Para entender em detalhes o que é o deságio e como ele é calculado, leia o conteúdo sobre Deságio na venda de precatórios.
Quanto é o deságio na venda de precatório alimentar?
O percentual varia conforme o ente devedor, o prazo estimado e a análise jurídica do caso.
Precatórios do INSS e de autarquias federais tendem a ter deságios menores, pois o risco de espera é mais previsível. Os precatórios municipais de prefeituras com histórico de inadimplência costumam ter deságios maiores.
Exemplo: um precatório alimentar de R$ 100.000 contra autarquia federal com deságio de 25% resulta em R$ 75.000 à vista. O cedente abre mão de R$ 25.000 para receber o restante agora, sem esperar a fila de pagamento, que pode levar anos.
A Preks pratica deságios entre 20% e 40% do valor nominal, conforme o ente devedor, o prazo estimado e a análise jurídica do caso. A cotação é gratuita e sem compromisso de venda.
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Dúvidas sobre precatório alimentar que mais aparecem
Reunimos as perguntas que aparecem com mais frequência sobre prazos, venda, valor e o que esperar do processo.
Qual o valor de um precatório alimentar?
O valor do precatório alimentar é o que foi reconhecido na sentença, corrigido monetariamente até o pagamento. Não há mínimo ou máximo em lei, depende do que estava em jogo no processo.
Vale saber que créditos federais até 60 salários mínimos são pagos como RPV (Requisição de Pequeno Valor), em fluxo mais rápido e separado da fila de precatórios.
Qual o prazo para receber por um precatório alimentar?
Depende de quem deve o precatório. Para precatórios federais (União, INSS, autarquias federais), o prazo médio é de 1 a 2 anos. Para os estaduais, de 2 a 4 anos. Precatórios municipais podem ultrapassar 5 anos.
A data efetiva para receber depende do orçamento do ente devedor e para entrar no pagamento do ano seguinte, o precatório alimentar precisa ser expedido até 1º de fevereiro do ano corrente (EC 136/2025).
Precatório alimentar tem imposto de renda?
Pelo entendimento do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) firmado em 2022, a venda de precatório com deságio não gera renda tributável para o cedente, o que está sendo cedido é um direito, não recebido um ganho.
Cada caso pode ter especificidades e o mais seguro é consultar um contador ou advogado tributarista antes de tomar qualquer decisão.
Como saber se a empresa que compra precatório alimentar é confiável?
Entre os principais pontos que ditam se a empresa que compra precatórios alimentares é confiável, é ter um CNPJ ativo na Receita Federal, contrato com validade jurídica e não fazer cobrança de taxa adiantada.
A Preks atua no mercado de crédito judicial desde 2019 na compra de precatórios, foi selecionada pelo Banco Central e Fenasbac para o LIFT em 2020 e já realizou mais de R$ 200 milhões em operações de cessão de precatórios. O contrato é assinado digitalmente e homologado pelo tribunal.
Receba o valor do precatório alimentar antes de esperar a fila
Quando há dívidas para pagar, surge um tratamento médico ou há projetos que não podem aguardar, esperar anos pelo pagamento do precatório alimentar pode não ser uma opção. A alternativa legal é a cessão do crédito.
O titular transfere o direito ao crédito a uma empresa especializada por contrato formal e recebe o valor à vista, já descontado o deságio, custo pela antecipação do risco e do prazo que a empresa assume no lugar do credor.
Como funciona a venda de precatório alimentar pela Preks
- Você envia o documento do precatório (Ofício Requisitório ou certidão do tribunal) pelo formulário do site ou WhatsApp;
- A equipe jurídica analisa a situação processual e o ente devedor;
- Você recebe uma proposta com o valor pela compra do precatório alimentar e a explicação de cada fator que compõe o deságio;
- É realizada uma análise jurídica minuciosa do precatório e do cedente para confirmar que não há impedimentos e a operação seja segura para ambos os lados;
- O contrato de cessão é assinado digitalmente, sem precisar ir ao cartório;
- A Preks faz a habilitação no tribunal;
- Após a transferência pelo tribunal, o valor é depositado na sua conta em até 5 dias úteis.
Depois da análise, o prazo estimado de negociação é de 5 a 7 dias úteis. A homologação depende do tribunal e nenhuma empresa séria garante data fixa para essa etapa.
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Sobre o autor: João Carlos Garcia é CEO da Preks e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal. Com mais de três décadas de experiência no sistema financeiro brasileiro, lidera a empresa desde 2019, em operações de cessão de precatórios que já somam mais de R$ 200 milhões.
Este artigo é informativo. Não substitui análise jurídica, tributária ou financeira do seu caso concreto. Para uma simulação personalizada, entre em contato com a Preks.


